Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

Dados do Trabalho


Título

SÍNDROME SEROTONINÉRGICA EM PACIENTE COM DOENÇA RENAL CRÔNICA: RELATO DE CASO

Fundamentação/Introdução

A síndrome serotoninérgica (SS) é uma condição potencialmente fatal, que está associada ao aumento da atividade de serotonina no sistema nervoso central. Em geral, ocorre em pacientes em uso de drogas que atuam inibindo a recaptação de serotonina, principalmente com associação de dois medicamentos.

Objetivos

Relatar caso de SS em portadora de doença renal crônica (DRC) em hemodiálise.

Delineamento e Métodos

G.P.D., feminino, 40 anos, portadora de diabetes mellitus insulino-dependente desde a infância, apresentando complicações sistêmicas: retinopatia diabética; nefropatia diabética, DRC estágio G5 em programa regular de hemodiálise; neuropatia diabética e gastroparesia diabética grave. Iniciou acompanhamento psiquiátrico em função de transtorno depressivo maior, com prescrição de venlafaxina 75 mg/dia, porém não informou fazer uso regular de duloxetina 60 mg/dia para tratamento de dor crônica. Desta forma, a paciente fez uso dos dois antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN) por 30 dias, até ser orientada a reduzir a dose de duloxetina progressivamente.

Resultados

Após tentativa de desmame abrupta, evoluiu com desorientação, agitação psicomotora, clônus ocular, hiperreflexia, clônus muscular, náuseas, vômitos e pressão arterial 220x130 mmHg. Foi encaminhada para emergência com principal hipótese diagnóstica síndrome serotoninérgica, baseada nos critérios de Hunter. Na internação hospitalar foi desconsiderada a hipótese anterior, prosseguindo com investigação de ataque isquêmico transitório, descartado após tomografia computadorizada e ressonância magnética de crânio, ecocardiograma e ultrassonografia doppler de artérias carótidas sem alterações. Houve manutenção da dose dos dois ISRSN por sete dias, evoluindo com piora dos sintomas. Após esse período foi instituído tratamento com retirada progressiva da duloxetina associada a medidas de suporte, sedação com fentanil e uso de nitroprussiato parenteral em função de hipertensão arterial de difícil controle. Após retirada completa da duloxetina, com manutenção da venlafaxina, a paciente apresentou melhora das mioclonias, tremores e pressão arterial retornou a níveis basais.

Conclusões/Considerações finais

A SS deve ser considerada como possível causa de sintomas cognitivos, autonômicos e neuromusculares no contexto do paciente em terapêutica antidepressiva, como ISRSN.

Palavras-chave

Síndrome Serotoninérgica; Doença Renal Crônica; Relato de Caso.

Área

Nefrologia

Instituições

Universidade Federal da Paraíba - Paraíba - Brasil

Autores

JULIANA GOMES NATTRODT BARROS, Renata Karine Pedrosa Ferreira, Bruna Guimarães, Pablo Rodrigues Costa Alves, Cristianne Silva Alexandre