Congresso Norte-Nordeste de Clínica Médica e Medicina de Urgência e Emergência

Dados do Trabalho


Título

LEISHMANIOSE COMO UM POSSÍVEL DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DAS EPISTAXES

Fundamentação/Introdução

A leishmaniose tegumentar é uma das cinco doenças infecto-parasitárias endêmicas de maior relevância e um problema de saúde pública mundial. Na América Latina, 90% dos casos estão no Brasil. É causada por protozoários do gênero Leishmania, apresentando diversas formas clínicas. A transmissão é pela picada de fêmeas infectadas. A inoculação da leishmania determina lesão cutânea na porta de entrada, de aspecto pápulo-vesiculosa ou impetigoide, que não raro evolui para regressão espontânea. Contudo, a infecção pode progredir, surgindo lesões cutâneas disseminadas e/ou invasão da mucosa da nasofaringe. A leishmaniose mucosa (LM) também denominada espúndia, está associada a L. Braziliense em sua maioria e, na quase totalidade dos casos, acomete a mucosa nasal com comprometimento do septo nasal.

Objetivos

Relatar a dificuldade de diagnóstico da leishmaniose mucosa, uma vez que, o acometimento mucoso pode surgir com lesão cutânea ainda em atividade ou anos após sua cicatrização.

Delineamento e Métodos

Trata-se de um estudo descritivo, observacional.

Resultados

Paciente FMS, sexo feminino, 13 anos, branca, moradora da zona urbana, procurou atendimento com queixas de epistaxe unilateral e presença de crostas sanguinolentas há 6 meses. Sem anormalidades ao exame físico geral. Na rinoscopia anterior presença de lesão sangrante em septo com perfuração da cartilagem anterior. Foi solicitado a intradermorreação de Montenegro, dando negativo (<5mm). Para o diagnóstico diferencial foi feita pesquisa de hanseníase, sífilis, paracoccidioidomicose, tuberculose e neoplasia, todos negativos. Foi solicitado um outro exame sorológico que é a reação de imunofluorescência indireta (RIFI) e biópsia da lesão. O RIFI foi levemente positivo e na biópsia houve processo inflamatório crônico e presença de parasita, mas sem identificação do agente. Outro exame de intradermorreação de Montenegro foi solicitado, positivando. Foi feito tratamento para LM por meio da Anfotericina B na dose de 0,5 mg/Kg/dia, EV, em dias alternados chegando à dose final de 3g. Durante o tratamento, a paciente apresentou alteração da função renal como efeito colateral da medicação. A lesão mucosa desapareceu em poucas semanas.

Conclusões/Considerações finais

É fundamental a associação do diagnóstico clínico sugerido na anamnese com os métodos laboratoriais tendo em vista as diversas apresentações clínicas e diagnósticos diferenciais da LM. É de suma importância o diagnóstico dessas lesões para se evitar cicatrizações desfigurantes.

Palavras-chave

leishmaniose; mucocutânea; diagnóstico; Anfotericina B.

Área

Infectologia

Instituições

Universidade Tiradentes - Sergipe - Brasil

Autores

MARILIA DE LIMA MOTA, Barbara Ramos Leite, Stella Costa Todt, Beatriz Costa Todt, Joao Costa Todt Neto