IX Congresso Catarinense de Obstetrícia e Ginecologia, IV Congresso Catarinense de Perinatologia

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Dados do Trabalho


Título

CONDILOMA ACUMINADO EXTRA-GENITAL EM LABIO

Relato de Caso

Mulher de 36 anos procura o ambulatório de ginecologia por uma Citopatologia Oncótica com diagnóstico de lesão intraepitelial de alto grau. Refere ser soropositiva para HIV há 15 anos fazendo tratamento de forma irregular. A paciente mostrava-se confusa, com dificuldade de conectar suas idéias e a marcha claudicante.
No exame clínico apresentava-se em mau estado geral, com lesões em comissura labial esquerda, papulosas em superfície micropapilar, confluentes e localizadas. A colposcopia evidenciou zona de transformação anormal em grau maior, sendo procedida à biópsia.
A impressão diagnóstica foi de Imunossupressão grave (SIDA) com comprometimento neurológico e condilomatose acuminada em região oral. Foi realizada ressecção com radiofrequência.
O Papilomavírus Humano (HPV) é um DNA-vírus com mais de 200 tipos descritos, dos quais 40 afetam o trato anogenital. Responsável pelas infecções sexualmente transmissíveis mais prevalentes no mundo, os tipos de HPV podem ser divididos de acordo com seu potencial oncogênico em alto e baixo risco.
A maioria das infecções são assintomáticas ou não aparentes, sendo visíveis apenas com técnicas de magnificação. Quando aparentes, se manifestam na forma de verruga genital ou condiloma acuminado, lesão superficial de crescimento exofítico e papilar, únicas ou múltiplas, com aspecto similar a “couve-flor”.
O HPV, eventualmente pode estar presente em áreas extragenitais como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea. A transmissão para orofaringe ocorre por autoinoculação e sexo orogenital. O estado imunológico, tabagismo e infecção por HPV de alto risco oncogênico são fatores determinantes para a persistência da infecção e progressão para neoplasia.
Diante da expressão de condilomas acuminados extragenitais, deve-se ter em mente quadros de imunossupressão severa, como a oriunda de corticoterapia sistêmica, lúpus, uso de ciclosporinas, transplantados ou soropositividade para o HIV.
O tratamento das lesões induzidas pelo HPV deve ser individualizado, considerando as características da lesão, como tamanho, morfologia, número e região. Ácido tricloroacético, imunoterapia, eletrocauterização, crioterapia e exérese cirúrgica são as terapias mais utilizadas. Em pacientes imunossuprimidos, a resposta ao tratamento pode ser insatisfatória, havendo recidivas frequentes.
Deve-se ressaltar a importância da vacinação anti-HPV e uso de condom na redução do risco de desenvolvimento de condiloma acuminado e lesões pré-cancerosas do colo do útero.

Área

Ginecologia e Obstetrícia

Autores

Jhonatan Alcides Elpo, Amanda Roepke Tiedje, Luiz Fernando Sommacal, Clarisse Salete Fontana, Marilin De Sá Muller Sens, Margel Pivetta Cantarelli, Eimi Nascimento Pacheco, Guilherme Rossi Dos Santos, Maria Elizabeth Andrade Galeno Carvalho, Luciana Santos Pimentel, Alberto Trapani Jr